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Ulan-Ude, Rússia, 29 de maio de 2013

 

 

               Depois de subirmos para o quarto – outra vez sem elevador, mas no 3º andar – saímos pra comer algo do ladinho do hotel: tem um restaurante excelente, que se chama STEAK HOUSE, simples e de comida gostosa, colado ao hotel.

 

                 Fizemos amizade com a dona (Helena) e funcionários (Irina filha e Xênia e Flora, atendente). Ficaram nossas amigas  com direito a flores e fotos emolduradas no dia em que fomos embora.

 

                   Pois não é que na nossa primeira noite no restaurante, comecei a passer mal? Dor de cabeça alucinante, um danado de um "mal estar" geral: corri pro hotel e coloquei as tripas pra fora. Já estava amarelo, da cor das paredes do hotel.

                    Emili e Pedro ficaram me aguardavam no restaurante.

 

                 Pedrinho tem se comportado na viagem de forma exemplar. Confesso que de vez em quando, temos    que ceder as suas chantagens e comprar os tais “kinder ovos”, que ele praticamente não come para poder abrir o mais rápido possível e descobrir a tal da surpresa-brinquedo-miniatura que tem lá dentro. Bom garoto.

                Já a Emili está sempre correndo atrás do prejuízo: baixando programas na internet para auxiliar           o aprendizado do baixinho e dando aula de manhã cedo pra ele.

 

 

                   Mas voltando ao assunto do “passei muito mal”, tudo acabou acabou assim: depois de colocar as tripas para fora, falei pelo Facebook emergencialmente com  aquela dentista russa que conhecemos duas cidades atrás (KRASNOIYARSK) e ela ficou muito assustada, dizendo que podia ser botulismo, que ULAN-UDE tem vários casos, etc. e que o culpado era o tal peixe de nome OLMUU que comi defumado no trem (sobre uma folha de uma revista de palavras cruzadas que, agora pensando, deveria ser um criadouro de virus e bactérias naquele trem “limpinho”).

                Ela me disse que estava acionando o resgate via telefone, lá da cidade dela, para que eles fossem ao hotel onde eu estava, pois eu podia até morrer em questão de horas!

 

                  Neste momento, quem ficou ligeiramente assustado fui eu – assustado não, pra falar a verdade,        fiquei mesmo foi em pânico! ... mas contido, controlado, sem verter lágrimas – e com calma e elegância, enquanto teclava com ela, fui acionando também o seguro/assistência viagem da Porto Seguro, lá no Brasil (eram 11 da noite aqui e no Brasil, 11 da manhã, hora em que Sampa tá a todo vapor, todos trabalhando, pra meu alívio); com as mãos trêmulas, digitei os números da salvação no celular e pedi ajuda, imaginando que aquelas seriam minhas últimas palavras antes de perder os sentidos (comecei a fazer a respiração do cachorrinho e imaginar uma posição digna para cair desmaiado no chão, para quando encontrassem meu corpo estirado).

 

              Minha cabeça estava latejando e eu já tava meio tonto (mas acho que era frescura, pois      os sintomas apareceram somente depois que ouvi ela digitar “botulismo” na conversa via FaceBook).

 

                 De repente, entram no quarto Emili e Pedrinho e logo em seguida, médicos russos do        resgate, além do gerente do hotel – puxa, as coisas aqui funcionam!

 

            Pra piorar, ninguém falava inglês e tive que usar novamente o facebook com a dentista Ludmila: ela ia traduzindo meus males/sintomas para os doutores enquanto eu ia definhando na frente de todos.  O “chat” continuou ainda na base do celular do médico (de colega pra colega) e eu só entendia ele dizendo “niet botulismo” (“não é botulismo”) umas 4 vezes – até que o outro, que era o enfermeiro (mas lembrava também um lutador de “sumô” pelo tamanho), começou a tirar uma ampola de injeção (que mais parecia uma garrafa de coca-cola de 600ml) da maleta médica e a própria injeção (que também mais parecia um arpão de pesca submarina de tão grande); nessa hora, eu já estava tendo alucinações pela intoxicação, pensei.

 

               E não é que o doutor desliga o celular, dá uma risadinha e olhando pra mim, aponta pro atleta de sumô, falando (acho): “Vai ser na bundinha, viu?”. Eu entendi que iam perfurar minha pele e injetar em mim, algo manipulado nos porões soviéticos – mas não acreditava ainda onde seria o "furo"...

 

                  Minha última lembrança, não por ter desmaiado mas sim por querer apagar toda aquela noite da memória, foi a do também sorridente enfermeiro, pedindo para eu virar “de ladinho”.

 

            Depois tudo ficou muito nebuloso em minha mente – mas lembro-me de ter sentido uma “arpoada” na retaguarda festiva. Procurei ajuda nos olhos do doutor, mas ele permanecia com o sorriso nos lábios... nos olhos da Emili, mas ela estava procurando a máquina fotográfica para eternizar o momento (traidora!) e, por fim, nos olhos do fiel Pedrinho, mas ele já estava com a cabeça debaixo do travesseiro, como um avestruz, para não ser testemunha de nada.

 

                    Vi estrelas de dor! Ou melhor, a via láctea materializou-se no quarto naquele momento!

                    Agulhinha FDP!

 

             Mas depois foi só vergonha/mico – pois parece que tudo não passou de uma dor   de barriga/pequena indigestão. Eu não ia mais morrer. Rapidamente ligamos outra vez para a Porto Seguro, cancelando a vinda do outro lutador de sumô, digo, médico – e tudo se resolveu.

 

                    E o SAMU russo foi embora sorrindo, por mais uma missão cumprida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                Abraços da família de mochila!

                FDM

 

 

Ulan-Ude, Rússia - Acionando o SAMU.

(96º dia viajando)

Ulan Ude|Rússia|Transiberiana

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© 2013 by Emili Amancio 

 

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Atualizado em:14/jan/2018

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