
Irkutsk, Rússia, 20 de maio de 2013
Hoje me dei mal: fui num caixa eletrônico (ATM) tirar um dindim e...glup! o “mardito” engoliu nosso cartão VTM (Visa Travel Money) e pior, sem me dar a grana! Fiquei com cara de bobo, olhando pra máquina e pensando: “P.Q.P! Hoje é domingo, tudo fechado, estamos apenas com alguns rublos no bolso para viajar amanhã... e vai ser “bico seco”!
Depois de dar uns dois chutes e um soco naquele ATM “dusinferno”, bati em retirada, pisando forte e cheio de marra... voltando para o hotel pra dar a notícias para a Emili.
Não bloqueamos o cartão e no dia seguinte, cedinho, lá estava eu no banco, tentando falar com alguém – imagina a cena: o banco vazio, sem clientes, somente funcionárias mulheres lá dentro, ninguém falava inglês e eu na frente do caixa, fazendo mímica e sons com a boca pra dizer que a máquina deles tinha engolido algo e não cuspiu de volta... e aquele silêncio...foi cômico mas era trágico – porque no dia seguinte, iríamos viajar para outro lugar (a tal ilha no lago Baikal) e precisávamos do cartão e principalmente, do dinheiro!
Até que apareceu alguém que se rendeu ao nosso jeito brasileiro de conseguir as coisas e foi comigo até a má-quina, chamou o segurança, gerente, o “prokramista” – programador que veio de outra agência entender o que tinha acontecido – e faltava somente agora, aquele urso com saia rodada, para o circo se configurar (e o palhaço era eu, que continuava fazendo sons com a boca para que tirassem de dentro da máquina o cartão).
Finalmente, quando a ATM foi aberta, para surpresa de todos e meu desespero, não tinha nada dentro: todos me olharam com raiva (“esse cara tá de sacanagem?) e eu olhei para o urso de saias e pensei: “vamos sair correndo juntos daqui, vc pra esquerda e eu pra direita – quando eu falar “já”...
Neste exato momento, mais uma vez acendeu a luz vermelha de “emergência” e como eu já havia sido submetido após anos e anos de treinamento, àquela conhecida fórmula militar para solucionar problemas sob pressão: “quando o C#. , aperta, a mente abre!” , foi fácil desenrolar as coisas, sem precisar eliminar nenhum daqueles civis que me odiavam.
Olhei para cima e vi a câmera do circuito interno de TV! Vamos ver a gravação, falei – e dito e feito, lá estava eu esmurrando com carinho a máquina e chutando levemente a F.D.P, indo embora sorrindo daquele atencioso banco – bem, isso era o que eu achava que estava vendo/fazendo, mas o que eles viram foi um brasileiro furioso e... bem, deixa pra lá, o caso é que descobrimos no filme que a máquina devolveu o cartão logo depois que eu sai da frente dela e quando alguém chegou e tentou enfiar outro cartão no buraco... esse alguém levou o cartão consigo !!!
O segurança me mandou de volta pro hotel e disse que ia tentar localizar aquele cliente e que me ligaria – agradeci a atenção de todos, peguei o urso pela mão, digo, patas, e retornamos para o hotel, prontos pra cancelarmos aquele pedacinho precioso de plástico, com uma dor no coração (quando que iriam achar um cliente que ninguém conhecia que havia usado o ATM num domingão, etc, etc.).
Mas de repente, nosso celular toca e dizem que o cliente foi encontrado e ele ia devolver o cartão!
Não acreditamos – e deixo aqui, mais uma vez, os parabéns (meu e do urso) aos funcionários do banco e ao cliente honesto que guardou o cartão.
Mas nós não usaremos mais aquele banco ATM até o fim da viagem.
DICA: Vai para IRKUTSK? Ok, mas não passe por lá sem conhecer a ILHA DE OLKHON, que fica no Lago Baikal, a uns 260Km da cidade. Do seu hotel/hostel, agende uma minivan, que vai sair por 750 a 650 rublos por pessoa (500 do motorista e o resto do hotel) e siga feliz da vida, por umas 6 horas de estrada ruim. Mas vale a muito a pena, a ilha é um lugar sensacional!
Abraços da Família de Mochila
FDM
Irkutsk, Rússia - Um ATM engoliu nosso cartão...
(87º ao 88º dia viajando)
