
Ilha de Olkhon, Lago Baikal, 27 de maio de 2013
De IRKUTSK, saímos dos trilhos da Transiberiana e seguimos para o Lago Baikal, para a sua maior ilha (e a 4º do mundo dentro de um lago), a ILHA DE OLKHON, já com dinheiro no bolso (problema do cartão VTM resolvido) e um quarto duplo numa “homestead”, reservado por email um dia antes (a diária saiu por 1.150 Rublos por pessoa ou 33 USD – (com as 3 refeições incluídas).
O nome do lugar é NIKITA’S HOMESTEAD, um dos melhores locais para ficar por lá. Pousada construída toda em madeira, como o restante das casas da vila, bem na margem do Lago Baikal, rústica e bela, com seu staff falando inglês e bem atenciosos. E a comida excelente!
Lá, fizemos passeios para o Norte e Sul da ilha, com a própria pousada (680 Rb por pessoa) ou com guias particulares (4.000 Rb por uma família ou grupo de até 4 amigos).
Os dois passeios foram inesquecíveis. No passeio para o Norte da ilha, fizemos com um guia particular, um francês chamado Nikolas, que fala excelente inglês e mora ali já tem mais de ano – apaixonou-se pela ilha. Fizemos amizade e, além de bom fotógrafo, tornou-se um bom amigo nosso. Recomendamos!
(cada plaquinha de gelo lá em baixo, tem o tamanho de um campo de futebol...Esse é o Lago Baikal bem na época em que está descongelando! Demos sorte!)
O local é bonito demais! O Lago Baikal estava ainda descongelando, com muitas placas de gelo misturadas com a água, que o vento levava de um lado para o outro, fazendo um barulho muito estranho e bonito, que mais parecia uma música – do tipo “vento nas folhas”, e quando o vento parava, tudo ia se acalmando devagarinho, o som diminuindo até chegar ao silêncio total, potencializado pelo branco infinito daquela imensidão branca.
(estas “bandeiras” com escritos budistas ficam assim, amarradas em postes ou árvores, para que o vento leve aos deuses, as preces escritas nelas)
Na ilha existem florestas e montanhas, locais de adorações dos “xamãs” aos seus deuses/divindades da natureza bem como vestígios da época da URSS, que usava a ilha também para trabalhos forçados de prisioneiros nas fábricas de peixes que existiam aqui.
Ainda sobra espaço na ilha para histórias dos “nativos” sobre “luzes estranhas” que entram e saem do lago de noite – os OVNIs também voam pelo Baikal”.
Foram dias calmos, tranquilos e belos ali – desconectados do mundo (sem internet) e conectados com as pessoas e com a natureza. Imperdível.
(foto batida bem na frente da pousada Nikita’s – estas plaquinhas de gelo devem ter uns dois palmos fora d’água - lá no fundo, tem uns patos selvagens que ficam nadando entre elas)
Mas tudo que é bom, acaba – voltamos para IRKUTSK no mesmo esquema da minivan, pagando mais barato (650 Rb). Viagem tranquila, pois apenas nós escolhemos o segundo e último horário do dia, o das 14hs (a maioria vai embora de manhã cedo, no primeiro horário, às 10hs), ou seja, fomos de motorista particular até a porta do mesmo hotel de onde saímos em IRKUTSK.
Quando chegamos, má notícia: bairro sem água quente por 4 dias! Não sei o que rolou, mas como íamos ficar apenas aquela noite e no dia seguinte seguiríamos pelos trilhos para ULAN-UDE, Pedrinho e eu pensamos em matar o banho (pois eu nem tinha suado na viagem...) – mas a consequência seria dormir no chão (ou com aquele urso do circo, lembra?), muito bem colocado por Emili. Resolvemos esquentar a água na chaleira do quarto e colocar na banheira (sim, na Rússia tem chaleira moderninha nos quartos e na maioria das vezes, banheira).
Depois do banho “tcheco”, fui pra internet e, meio sem esperança, tentei comprar uma passagem de trem para o dia seguinte e... não é que consegui? Entrei naquele site londrino da REAL RUSSIA e mandamos uma terceira classe com 7 horas de duração até Ulan-Ude, margeando o Lago Baikal=o trem parte às 10 da matina e chega às 17 hs, viagem que deve ser feita de dia, para observar a paisagem (não aconselhamos ir no horário noturno). Já no outro site (americano), a passagem só é comprada com 48hs de antecedência - ou seja, não tinha.
Eu poderia ter ido até a estação e comprado nas máquinas eletrônicas, mas as bilheterias fecham as 19hs (e abrem as 0800hs). O correto mesmo era já ter comprado o bilhete com antecedência na estação, pois é mais barato.
DICA: os sites de compra de passagens para os trens russos, que estão nas DICAS, são bons, confiáveis e facilitam muito a vida, porém, cobram por isto. Por exemplo, o preço da passagem na 2ª classe de ULAN-UDE, na Rússia, para a capital da Mongólia, ULAN BAATOR, custa no site 5.200 rublos e na estação ferroviária de ULAN-UDE, na “boca do caixa”, sai por 3.200 rublos (2 mil rublos de diferença, ou 62 dólares) – a dica é procurar naqueles dois sites, o trem e o horário que vc quer e depois, vá para a estação com algo escrito em russo (ou peça ajuda para alguém que fale, pois as atendentes dos caixas são analfabetas no idioma “englístico” além de bravas e sem educação/paciência com turistas) – mas dá pra comprar também nas máquinas que existem nas estações, que tem textos em inglês (a única de ULAN-UDE estava fora de serviço quando tentei comprar passagem para a Mongólia). Nestas máquinas vc compra o bilhete e já imprime na hora! Uma mão na roda, digo, no trilho.
Com o email da passagem na mão, no dia seguinte fomos para a estação e digitei o nr do passaporte naquelas máquinas e elas imprimiram os bilhetes. Embarcamos e seguimos para Ulan-Ude.
Vamos completar 100 dias de mochila lá, fechando a primeira parte da viagem pela Rússia, para então, abando-
narmos temporariamente os trilhos da Transiberiana e entrando nos trilhos da Transmongoliana: vamos rodar um mês pela MONGÓLIA e depois, voltamos para a Rússia outra vez, seguindo até Vladivostok – o visto dá direito a múltiplas entradas no país, durante os 3 meses de duração.
Continuamos nossa conversa de ULAN-UDE.
Abraços da Família de Mochila!
FDM












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Olkhon Island, Baikal - A maior ilha do lago.
(89º ao 94º dia viajando)
